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terça-feira, 21 de abril de 2020

Um Legado Trazido pelos Antepassados!

Falei tanto da língua anglo-saxônica no meu relato anterior, que deixei de contar pra vocês que nasci e cresci numa região de colonização alemã, que sou filha de descendentes de imigrantes alemães, e que em razão disso, muito cedo me tornei bilíngue. É quase inegável o fato de que esse meio influenciou fortemente as minhas escolhas futuras!

Nos meus primeiros anos de vida, morávamos com meus avós maternos, e o alemão era a língua ‘oficial’ da família. Aliado a isso, meu avô e minha avó se recusavam terminantemente a qualquer interação que não fosse na língua alemã, cheguei a pensar que nenhum deles compreendia o idioma português!

Anos mais tarde é que descobri que ambos falavam e compreendiam muito bem a língua portuguesa, e por razões que desconheço, haviam escolhido não usá-la no núcleo familiar. O único episódio em que vi minha avó se comunicando em português foi numa situação de extrema necessidade, pois a pessoa com quem ela interagia não compreendia a língua dos imigrantes.

Meus avós faleceram há mais de 20 anos, mas até hoje lembro da minha vozinha sentada na varanda de casa lendo seus Romane (romances, em português), ou do meu avô lendo o seu exemplar do Brasil-Post, um jornal em língua alemã publicado semanalmente no Brasil. Certamente foi ali, observando eles, que aprendi a amar tão intensamente os livros e a leitura.

Enfim, crescer num lar bilíngue foi muito mais do que fazer uso da língua alemã no meu dia-a-dia, havia ali uma infinidade de valores, crenças e aspectos culturais presentes, não só um legado trazido pelos antepassados das terras além-mar, mas um facilitador para a interação com algumas culturas europeias e a imersão neste vasto universo multicultural.


PS: A imagem é de 1973 e mostra quatro gerações de mulheres da minha família, da esquerda para a direita, minha bisavó materna Emma Weierbacher, minha avó materna Alzira Jost, minha mãe Osuli Frömming e eu, Marione.